quinta-feira, maio 19, 2011

Relatório do dia 15.05.11 Soprando Histórias com Alberto Marques dos Santos

Projeto Leituras ao Vento

Relatório do dia 15/05/2011

Mais uma vez a nossa ida à praça começou com um esforço concentrado de preparação durante a semana.  O motivo não poderia ser outro: nosso convidado para o “Soprando Histórias”, Alberto Marques dos Santos.
Alberto é nosso amigo do Clube de Leitura e uma pessoa muito querida. No início foi, durante algum tempo, nosso principal contato no Clube de Leitura, e o encarregado de atualizar o blog do Clube. É um intelectual refinado e um leitor atento, de análises precisas e perspicazes. As reuniões mensais do Clube de Leitura Maringá perdem muito em riqueza quando ele não está presente.
Ficamos muito contentes quando Alberto aceitou nosso convite, mas também um pouco preocupados. Imaginávamos um público maior que o usual, e por isso tivemos um esforço de logística adicional. Optamos por levar para a praça, desta vez, todo o acervo já catalogado e montar três varais, além de levar os dois bauzinhos e a cestinha de livros. Adquirimos, também, mais duas esteiras.
Novamente a preocupação com o clima: as previsões da meteorologia apontavam para possibilidade de chuva no domingo, e só nos restou torcer e apelar aos deuses que governam os elementos para que as previsões, corretas em outras oportunidades, dessa vez se frustrassem.
No domingo pela manhã o sol deu o ar da graça e não havia nada no céu que indicasse que teríamos um dia chuvoso. Mas, à medida que a manhã avançava, capitaneada pelo carro do sol, algumas nuvens apareceram e um ar frio tomou conta do ambiente. Ficamos atentos, mas a chuva não se confirmou. Ao chegarmos à praça o tempo se manteve assim, com o sol disputando o azul com nuvens brancas baixas de algodão, e uma brisa fria leve que tipificava o outono.
O evento inexplicável, dessa vez, foi a dificuldade extrema que tivemos de estender os varais. Se na semana anterior o vendedor de doces e Maristela deram o tom da solidariedade e criatividade, desta vez nada parecia dar certo. Nos enredamos em uma confusão de nós e de barbantes enrolados e atados às cordas de nylon, tentando manter os varais estáveis enquanto eles insistiam em ceder e flexionar os livros para baixo. Colocamos e retiramos os livros algumas vezes para esticar de novo as cordas e refazer os nós. Senti falta de meu amigo Régis, com seu conhecimento de nós rápidos e perfeitos, adquirido nas trilhas de montanhismo no verde desse Paraná.
Depois de mais de meia hora de sofrimento, finalmente conseguimos atar os varais de modo razoável e começamos a colocar os livros. Nesse ínterim, chega Alberto com sua esposa e, com seu bom humor e serenidade, começa a nos ajudar com os livros. Assim que tudo está finalmente montado, saí com Adah para fazer a nossa propaganda e distribuir os convites para o “Soprando Histórias”.
Quando chegamos à praça, às 15:00h, nos pareceu que esta estava ainda mais vazia que no domingo das mães. Via-se uma vastidão em que poucos grupos isolados se espalhavam, distantes uns dos outros. Quando começamos a distribuir os convites, às 16:10, essa situação não havia mudado. Optamos, eu e Adah, por uma estratégia diferente. Ao invés de começarmos a distribuir nas proximidades do Projeto e irmos nos distanciando, dessa vez fomos até um ponto distante onde aparentemente havia mais pessoas, e dali voltarmos para o Projeto fazendo a distribuição. Tivemos que correr atrás de um pai e sua filha pequena, que já se distanciavam em direção à avenida. Priorizamos os grupos onde havia crianças, e, mais uma vez, tivemos uma surpresa positiva: distribuímos mais de uma dezena de panfletos em pouco mais de dez minutos, nunca só distribuindo, mas sobretudo explicando às pessoas, em rápidas palavras e no essencial, o que era o Projeto, nossa maneira de trabalhar e algo sobre as obras e novidades que trazíamos.
Quando voltamos encontramos já algumas das pessoas abordadas instaladas nas esteiras, e, em poucos minutos todas as oito esteiras estavam ocupadas, uma afluência de público excelente. Na semana anterior, o público mostrou, em pleno Dia das Mães, que a praça também serve como espaço de intimidade entre mãe e filhos, quando essa relação é mediatizada pela leitura. Desta vez, o público mostrou que dias ligeiramente frios e ensolarados podem ser excelentes para uma leitura em família na praça.
Rosângela, nossa amiga do clube de leitura, com sua filha Natália, de 11 anos, vieram nos prestigiar, acompanharam e ajudaram o tempo todo. Também vieram Hilda e seu filho Marcos – “The three little pigs”, lembram? –, Hilda só de passagem, pois ia participar da Corrida Tiradentes, com largada às 16:45h, mas deixou Marcos com a gente, fazendo companhia à Adah e Natália. Também apareceu mais uma vez quem? O nosso leitor número um, sempre a procura de suas revistas preferidas, o Homem Aranha e o Groo. Desta vez, no entanto, ele resolveu variar, e fez alguns comentários com Alberto a respeito das ilustrações de “Chica e         João”, de Nelson Cruz – livro que trabalha a história e a memória da época do ouro e dos diamantes em Minas Gerais por meio da história e da lenda de Chica da Silva – e olhou com interesse para uma biografia em quadrinhos de Lula – editora Sarandi, texto de Tony Rodrigues e desenhos de Rodolfo Zalla – que Maristela lhe mostrou. É, nosso amigo parece ter uma certa preferência pelas biografias e pelas figuras ilustres! Gostaria que ele tivesse ficado para a apresentação do Alberto, mas ele logo após foi embora, sem se despedir e rapidamente, como um super-herói dos quadrinhos.
Uma nota muito legal sobre Marcos: com o correr da tarde e conforme o frio apertou, Marcos se sentou na esteira, juntou os joelhos ao tronco e puxou a camisa por cima dos joelhos, conseguindo cobrir-se inteiro com apenas aquela réstia de pano de malha. Uma graça! Maristela pediu a Adah e Natália para ir até o carro e apanhar uma manta azul que havíamos trazido para essas ocasiões. Natália entregou a ele, e ele se envolveu todinho, ali, encolhido como estava, parecendo um guru indiano numa rua de Calcutá. Claro que tiramos belas fotos daquele seu sorriso sereno aparecendo por trás daquela barreira azul. Detalhe: o menino não deixou de lado a leitura, mesmo no seu total recolhimento. Natália foi se juntar a ele depois.
Todos instalados, tiramos Alberto da sua santa paz – ele acabara de ler e se divertir com “Guardachuvando doideiras”,      
de Sylvia Orthof, e Adah se ocupava de tentar lhe enfiar goela abaixo livros de sua preferência – para iniciar o “Soprando Histórias”. Anunciamos aos presentes o evento e pedimos que arrastassem as esteiras para o palco improvisado, na verdade só um “puff” colocado ao lado dos bauzinhos e próximo a uma das “nossas” árvores. Todos ficaram bem próximos, as apresentações de praxe foram feitas por mim e Alberto ficou com a palavra.
            O livro, conforme anunciado, foi “A verdadeira história dos três porquinhos”, de John Sciezka, ilustrado por Lane Smith e traduzido por Pedro Maia Soares, editora Companhia das Letrinhas. O livro é uma deliciosa “versão do lobo”, escrita com base na história clássica, e que transforma a história dos três porquinhos num relato cheio de graça e de cinismo do Lobo Mau. Alberto apresentou o livro e, com sua simpatia natural e voz pausada, prendeu a atenção das crianças e conseguiu arrancar risadas até mesmo dos adultos. A assistência era grande e os aplausos ao final foram abundantes. Entregamos o Certificado de participação e o Título de leitor amigo das crianças e adolescentes da cidade de Maringá, com muitas fotos e reiterados aplausos.
            Após a apresentação, pela primeira vez o nosso público não se dispersou. Embora alguns tenham partido, as esteiras permaneceram ocupadas, com a chegada de mais duas famílias. Entabulei uma conversa com um pai que trabalhava ali perto – no posto de gasolina – sobre leitura e educação no Brasil, enquanto ao lado Alberto, Adah, Natália, Marcos e alguns outros faziam uma espécie de certame de contação de histórias, com direito a aplausos e “eehhs!”.    
            Nossa assistência, mais uma vez, foi digna de se admirar. Mamães lendo para os seus filhos tem sido uma ocorrência comum. Também irmãos lendo para irmãos, ou trocando informações, cada um com seu livro na mão. Pais homens também tem aparecido, acompanhados ou não das mamães, mas levando seu pequenos pelo braço. Aliás, pais homens parecem mais com um grupo diferenciado de crianças do que com adultos. Chegam como quem não quer nada, sondam o terreno, instruem os pequenos a se servir dos livros. Daqui a pouco, eles mesmos pegam alguma coisa para ler e não largam mais. E como se divertem! Durante a apresentação do Alberto um deles, acompanhado da mamãe e de sua filhinha, se divertiu mais que todos os presentes com a história contada. Ria com vontade do depoimento daquele Lobo Mau esperto se fazendo de coitadinho.
            Duas meninas da faixa dos 11 anos chegaram acompanhadas de uma outra ainda naquela deliciosa fase de ver apenas as figuras e cores. Sentaram as três em uma esteira, as duas maiores com livros. Já a pequenina foi se esticando, se aconchegando, até deitar confortavelmente. As outras duas pareceram ter achado uma boa idéia, e daí a pouco as três estavam deitadas. Então a pequenina dormiu gostosamente, e ali ficou por um longo tempo, talvez sonhando coisas mais belas que qualquer livro poderia deixar entrever.
            Uma mãe chegou pouco antes do início do “Soprando Histórias” e se deixou ficar até o final, bem à vontade, lendo histórias para o seu pequenino. Dizer o que mais? É por isso que estamos aqui.
            Desta vez prestamos mais atenção às idas de nosso público ao varal. O que vimos foi a desenvoltura de crianças bem pequenas, retirando e recolocando os livros, se dirigindo às esteiras e de fato se entretendo com a leitura. Portanto, mais que a alegria de brincar de escolher aqueles objetos coloridos cheios de páginas com príncipes e princesas, porquinhos, sapos e coelhos, observamos que a escolha representava um certo compromisso de se “aprofundar” naquela curiosidade, numa postura de leitura que em nada diferia, pelo menos visualmente, da dos adultos. A relação que essas crianças de fato tem com o que liam ou viam, ali naquela esteira, sobre o gramado e sob a ação da brisa da tarde, ainda não sabemos. Mas vamos continuar observando.
            Às 17:30, com o friozinho da noite começando a se insinuar e com as últimas despedidas, começamos a juntar nosso acervo para deixar a praça. Marcos, Rosângela e Natália, Alberto e Roseli ficaram conosco até o final. Ajudaram a desmontar nosso cenário e se despediram já na porta do carro. Um dia lindo. E é só.    

quarta-feira, maio 18, 2011

Dia Nacional de Combate a violência sexual infantojuvenil

Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Durante esta semana ações em diversos municípios no Paraná e no país lembram a data. Neste ano, o serviço de denúncias o Disque 100, já recebeu 4.205 casos. No ano passado todo foram 12.487 denúncias deste tipo.  O levantamento aponta ainda que, em 2010 e no 1º trimestre de 2011, 605 e 242 denúncias, respectivamente, partiram do Paraná. Quando comparada com as mais variadas formas de violência sexual, praticadas contra crianças e adolescentes, o sexo feminino ainda corresponde à maioria das vítimas: exploração sexual 80%, tráfico de crianças e adolescentes 67%, abuso sexual 77% e pornografia 69%.
fonte: Bem Paraná.


Programação de Foz do Iguaçu encontre no blog: http://advogadospelainfancia.blogspot.com/


Maringá sedia o VI Encontro de Enfrentamento à Violência, ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes nesta terça-feira (17), que vai reunir psicólogos, assistentes sociais e autoridades municipais no Auditório Hélio Moreira.
O evento vai discutir sobre enfrentamento à violência, abuso e exploração contra crianças e adolescentes, a partir das 8 horas, e marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado no dia 18 de maio.



Confira a programação do evento:
Terça-feira (17)
7h30 – Apresentação Cultural de música popular brasileira com alunos atendidos no Espaço da Juventude Brinco da Vila
8 horas: Abertura
8h30 Palestra:
"O Fenômeno da Violência Contra a Criança e ao Adolescente"
Célia Regina Cortellete Pereira da Silva

Quarta-feira (18)
Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração contra Crianças e Adolescentes
- Divulgação da campanha

Currículo da palestrante
Célia Regina Cortellete Pereira da Silva é psicóloga (CRP 08/0457) formada pela PUC/PR.
- Técnica da Prefeitura Municipal de Maringá, atuando há 22 anos junto a Policia Civil
- Especialista em Ludoterapia; Especialista em Psicologia Jurídica trabalhando junto a crianças, adolescentes e mulheres vítimas de violência sexual.
- Conselheira do Conselho Regional de Psicologia gestão 2011 a 2014.
"A Atuação da Rede Municipal de Atendimento da Criança e do Adolescente Vítimas de Violência"
Sirley Shizuka Oikawa – Assistente Social, Técnica da Prefeitura Municipal de Maringá- coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS
- Especialista em Terapia Comunitária, pela Universidade Federal do Ceará; Especialista em Políticas Publica pela Universidade Estadual de Maringá.
- Experiência na Vara da Infância e Juventude no Município de Marialva-PR, como Técnico Auxiliar da Infância e da Juventude.
- Assessoria Técnica aos Conselhos Tutelares de Marialva-PR e Itambé-PR; Participou da criação do Programa de atendimento as Famílias em Situação de Vulnerabilidade social, utilizando recursos da Terapia Comunitária em acompanhamento sistemático pela rede socioassistencial.
Outras informações na Secretaria de Assistência Social e Cidadania (SASC) de Maringá, com Ivanete e Maria Eloisa, pelos telefones (44) 3221-6421 e 3221-6440 ou pelo e-mail: sasc_apoiotecnico@maringa.pr.gov.br

segunda-feira, maio 16, 2011

Fotos do dia 15.05.11 Soprando histórias com Alberto Marques

Que maravilha! Sucesso total (saibam mais quando o relatório estiver pronto), até o sol convidando de última hora pelo nosso blog apareceu. Foi uma tarde agradável e cheia de mini-leitores e papais-leitores. Obrigada a todos.



Papai lendo 1


Papai lendo 2

Todos se acomodando para a leitura do livro.

Que gostoso, deita , ler...

e escolher o livro.

Nosso leitor convidado Alberto e Roseli (esposa) .

Família unida: cada um lendo à sua maneira.


Rosângela (amiga do clube de leitura de Maringá) e Natália sua filha.



Livros pequeninos


Adah e Natália

Wagner entregando o certificado de participação para o Alberto.


Alberto em sua leitura ...






Mamãe lendo 1

Mamãe lendo 2


Filha lendo para o papai.

domingo, maio 15, 2011

Deuses da natureza

Deuses da natureza, e em especial, Deus-Sol, sinta-se convidado para participar 
da 7ª edição do Leituras ao vento.

sexta-feira, maio 13, 2011

SOPRANDO HISTÓRIAS com Alberto Marques dos Santos




LEITURAS AO VENTO
Convida a comunidade para o evento
“SOPRANDO HISTÓRIAS”
 Leitura de livro infantil.

Leitor convidado:
Alberto Marques dos Santos (Juiz de Direito)
Livro: A verdadeira história dos três porquinhos (versão do Lobo)
Autor: Jon Sciezka
Ilustrações: Lane Smith
Tradutor: Pedro Maia Soares

Data: 15.05.2011
Hora: 16h30min
Local: Praça da Catedral (fundos)



Mais fotos do dia 08.05.11 Dia das mães.













Projeto Leituras ao Vento Relatório 6

Projeto Leituras ao Vento

Relatório do dia 08/05/2011

Isso mesmo! E o Leituras aportou na praça da Catedral em pleno dia das mães!
Depois dos felizes trâmites familiares de praxe – eu e Adah festamos com Maristela pela manhã e à tarde, almoçamos fora, Maristela ligou para a mãe e a avó, em Rondônia – colocamos o material no carro e fomos para a praça.
Encontramos a praça, compreensivelmente, pouco movimentada, e nossos amigos de sempre não estavam lá – na certa fazendo com suas mamães o que eu e Adah fizemos com Maristela.
Mas não desanimamos. Pelo contrário, pensamos o Leituras daquele dia como uma forma alegre e solidária de colori-lo ainda mais, de terminarmos de relaxar com um gostinho de fazê-lo com o próximo.
Mas a solidariedade começou não do nosso lado, mas do lado do público. O vendedor de doces – Maristela preferiu classificá-lo como um pipoqueiro que vendia de tudo, menos pipoca – se ofereceu para ajudar-nos a colocar o banner do Leituras. Bem, ele era um senhor de uns cinqüenta anos – talvez mais – baixo, magro, de compleição física frágil e que parecia ter algum tipo de limitação ou dificuldade de movimento. Mas nada o demoveu da idéia de ajudar-nos!
A idéia, como sempre, era amarrar um barbante a uma altura de pouco mais de dois metros, em uma das árvores que usamos costumeiramente como suporte para nossos varais. Então usar o barbante como suporte para pendurar o banner. Então, tudo bem. Simples, não? Não, se parece quase impossível para pobres amantes da leitura como nós amarrar o tal barbante em torno da árvore sem deixá-lo frouxo. O nosso solidário vendedor de doces partilhou desse dilema torturante conosco, pedia insistentemente a ajuda da Adah com o rolo de barbante, aceitou uma banqueta para se aproximar mais da altura onde o barbante seria atado, arrebentou com as mãos dois pedaços de barbante, ambos de tamanho insuficiente, até que aceitou minha sugestão de envolver a árvore primeiro para depois arrebentar. Deu idéias e mais idéias e partilhou do resultado das nossas, todas um retumbante fracasso!
Mas eis que uma mulher, mais uma vez, salva o dia – ou à tarde. Maristela nos sugere que joguemos o rolinho de barbante na bifurcação do tronco da árvore, uns três metros acima, ao invés de tentarmos envolvê-lo. Estaria assim resolvido o problema do afrouxamento e da dificuldade em atarmos o barbante à árvore tentando inutilmente fazê-lo na horizontal. Jogando o barbante pela bifurcação, era como colocar um “colar” de barbante na árvore. Então era só fechar o colar com um nó e pendurar o banner como um pingente.
Depois dessa solução feminina e elegante é claro que deu certo. O vendedor de doces voltou para o seu carrinho satisfeito e colocando-se à disposição, como um legítimo cavalheiro; e nós pudemos terminar de nos instalar, estendendo o varal de nylon de uma árvore a outra. E Maristela ainda brindou-nos com outra idéia: para facilitar a instalação dos varais nós os estendemos em “V”, não precisando assim desatar o fio azul do branco, guardados atados desde a semana anterior. Economizamos, desta forma, tempo e alguns nós chatos, já que tudo ficou atado em uma única árvore.
Depois de toda essa odisséia técnica, colocamos os livros em exposição, ajeitamos os bauzinhos em locais estratégicos para serem notados e explorados pelas crianças e estendemos as esteiras. Então eu saí pelo parque para fazer nossa já tradicional propaganda boca a boca.
Poucos grupos se espalhavam pelo parque: grupos de adolescentes, pais jogando bola com seus filhos, uma vovó passeando com a netinha, um grupo jogando um vôlei bem animado, dentre outros. Comecei priorizando os grupos mais próximos e depois os que eu conseguia notar alguma criança. Fui um pouco mais longe e demorei um pouco mais do que o costume. Quando retornei, a surpresa: todas as esteiras estavam ocupadas! Para um dia que julgávamos que seria de poucos freqüentadores, foi bem gratificante perceber mais uma vez que precisamos de mais esteiras.
Como era de se esperar, foi um dia de mamães lendo para os filhos, alguns bem pequenos. Um intimismo tocante unia meninos e meninas pequeninos, animados com seus livros coloridos, apanhados no varal na desenvoltura de seus passos aprendizes, com suas mães, sorridentes, contando as histórias e mostrando as ilustrações como se mostrassem os personagens-bichos coloridos por uma janela. Sorrisos leves e olhares ternos davam ao conjunto um clima de felicidade.
Percebemos que as pessoas pegaram o espírito da coisa: usavam as esteiras com mais desenvoltura. Um pai e seu pequenino pediram para arrastar uma até um ponto além da área que ocupávamos. Uma mãe com suas duas meninas fez o mesmo.
Uma menina de uns dois anos de idade chegou com a atenção voltada para o livro de Clarice Lispector, “A vida íntima de Laura”, dizendo à mãe que queria ver o “có-có”, apontando a ilustração da capa, que mostrava algumas galinhas – o livro de Clarice, na verdade uma crítica bem humorada às donas-de-casa e mulheres comuns dos anos 70 e de todos os tempos, apóia sua história no cotidiano de uma galinha, cinza como todas as galinhas do terreiro onde mora. A mãe parou, animada para lhe mostrar o livro. Disse-nos que o gosto pela leitura não era comum no irmão e no primo, e que talvez com ela fosse diferente, tal o interesse demonstrado pela menina – mas contrariando o que disse a mãe, os dois meninos ficaram longo tempo em uma das esteiras, lendo gibis.
Um episódio da persistência de uma criança quando se enamora dos livros: uma menina de uns três anos de idade chegou, acompanhada de toda a família – pelo que vimos provavelmente os avós, pai e mãe e alguns tios. A menina se interessou bastante pelos livros, e a mãe ficou durante algum tempo lendo para ela.
Um senhor idoso, provavelmente o avô da menina, se instalou em nossa cadeira de praia, encostado a uma árvore, com o livro “Quatro amigos”, de Tatiana Belinky, e o leu inteiro, em voz alta, ali com seus botões. Terminou a leitura, se levantou e comentou com Adah sobre a qualidade do livro, que, disse, era “muito legal”.
Mas a nota interessante veio quando a mãe resolveu ir embora. A menina reiteradas vezes se recusou, e abria o livro fingindo concentração, como uma forma elegante de dizer que queria ficar. Até que a mãe, já alguns metros longe com o restante do grupo, lançou um ultimato à menina, dizendo que estava indo embora. A pequenina não teve dúvidas: apanhou um livro, foi até a esteira e deitou-se de costas displicentemente, com um joelho flexionado e a outra perna jogada sobre o joelho, o livro erguido e aberto sobre o rosto, numa elegantíssima pose de leitura que não deixou de arrancar risos dos presentes. A própria mãe e o pai não se contiveram. Eu, é claro, aproveitei para tirar umas fotos, e o pinguinho de gente fez questão de me olhar em pose, agora até incentivada pela mãe.
Por volta de 16:40h todos os nossos visitantes já haviam se dispersado. Não que tivessem ficado pouco: ali permaneceram por mais de uma hora. A diferença é que, em eventos anteriores houve um rodízio maior dos grupos, enquanto desta vez os grupos chegaram mais ou menos ao mesmo tempo, logo no início, e permaneceram mais tempo, provavelmente devido às poucas opções que a praça oferecia naquele dia das mães. Pensamos em recolher o material às 17:00h, mas daí veio a segunda surpresa do dia: novos visitantes começaram a chegar dez minutos depois, e continuaram chegando até às 17:30h.
Os primeiros a chegar foram duas moças, acompanhadas de três crianças, duas meninas loiras e um menino de cabelos pretos. Uma das moças era de Terra Boa, aqui mesmo no Paraná, e estava em Maringá visitando a outra moça. As crianças se ocuparam com a leitura o tempo todo.
Um momento interessante: perto dali um pai, acompanhado do filho, tentava empinar uma grande e linda pipa vermelha. Adah pegou a câmera fotográfica e foi, acompanhada do menino de cabelos pretos, registrar o belo brinquedo que o pai procurava alçar ao céu azul que que inundava de luz aquele final de tarde. Adah tirou uma belíssima foto em panorâmica. Logo depois a pipa se enganchou em um galho baixo de uma das árvores da praça. O pai teve alguma dificuldade para, aos puxões, retirar a pipa do galho que a retinha, ao que parece, sem graves conseqüências para o brinquedo.    
Nessa segunda leva algumas surpresas positivas aconteceram: primeiro, houve a volta de nosso primeiro leitor, aquele que descrevemos aqui no nosso primeiro relatório, que havia se encantado com o número especial do Homem-Aranha em que este aparece ao lado do presidente americano Barack Obama, e que se divertiu com as revistas do bárbaro Groo, de Sérgio Aragonés. O nosso amigo apareceu procurando essas mesmas revistas. Nós não havíamos trazido o Homem-Aranha, mas consegui localizar dois números do Groo, e lhe repassei um. Ele deu uma olhada por alguns minutos e me devolveu, afirmando que não estava muito disposto a ler naquele dia, devido a... alguma coisa que havia ingerido. Ele ainda ficou ali, sentado, acompanhando com os olhos o movimento e tecendo algumas considerações.
Segundo, uma senhora catadora de papéis chegou com alguma bagagem e, depois de conseguir um pouco de refrigerante e uma maçã com alguns presentes, se instalou perto de uma das árvores que servia de suporte aos nossos varais. Colocou ali seu lençol, acomodou suas coisas num cantinho, incluindo uma garrafa d’água e a garrafa de refrigerante estrategicamente colocados para garantir que a sede não atrapalhasse o seu conforto e se dirigiu à Maristela para pedir um livro. Maristela disponibilizou-lhe um livro e ela foi se sentar em seu canto. Pouco depois devolveu o livro ao varal e pegou outro, uma versão em espanhol de “Cachinhos Dourados”, e ficou folheando, curiosa com os “pop-pups”. Finalmente, pegou um exemplar do “Muito Capeta”, de Angela Lago, e ficou com ele por cerca de meia-hora, agora deitada de bruços confortavelmente, com o livro á sua frente. Nossa visitante, talvez preocupada com a poeira que suas roupas se impregnaram com seu trabalho do dia, não se utilizou de nossas esteiras, e se manteve à parte, silenciosa em sua leitura. Em certa altura um amigo seu veio chamar-lhe, ela se levantou, devolveu o livro, recolheu suas coisas, despediu-se com um sorriso e se foi. Maravilhoso.
Depois deste episódio recolhemos o material e encerramos já próximo das 18:00h, na mais longa permanência nossa na praça até aqui. Um longo dia cheio de surpresas nessa nossa experiência pública de leitura, suave como o vento a bater nas folhas das árvores.

quinta-feira, maio 12, 2011

Dia das mães com Leituras ao Vento

Mesmo sendo um tia especial para as mães, fizemos a 6ª edição do Leituras ao Vento na praça da Catedral de Maringá. 

 Poucas pessoas na praça, mas, as poucas vieram nos visitar e ler... É maravilhoso receber a cada domingo um público diferente e curioso para saber o que se passa: as perguntas de sempre - estão vendendo livros?
Vocês são de alguma escola? Bom, não e não.

As pessoas  ficam surpresas e encantadas com a ideia e se sentem à vontade para folhear e ler os livros...
Ôba mais uma vez deu certo!!!!   















Como a tarde estava tranquila, nós que não somos de ferro, também fizemos nossas leituras ao Vento... eu e Wagner.
( a Adah que tirou a foto, nos pegou de surpresa)